segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Belo (que de belo não tem nada) Monte

Semana passada foi publicada a foto do índio Raoni, chorando ao saber que a Sr Dilma autorizou o início da construção da usina. Eu ainda não tinha falado nisto porque sinceramente isto me revolta, como tantas outras questões, nesse País chamado Brasil. Eu compartilho do sentimento desse índio.
Vamos aos impactos... :(
A hidrelétrica prevê a Construção de 2 canais que acarretará no barramento do rio Xingu
A área de alagamento será =Um terço de são Paulo(516km²), atingindo mais de 100km do rio que possui uma diversidade de peixes = 4(QUATRO) vezes o TOTAL de espécies da Europa TODA. Diversidade esta, devido à barreira geográfica que poderá ser interrompida.Demais nº espécies: 174 espécies de peixes, 387 espécies de répteis, 440 espécies de aves e 259 espécies de mamíferos; sendo muitas espécies endêmicas. Serão extintas 10 espécies de peixes endêmicos e inúmeras outras correrão o mesmo risco.
Este modelo de usina é ultrapassado, pois perde energia na transmissão devido a distância (5000Km) dos centros consumidores gerando em media 1/3(4.428 MW) do proposto devido também, a estiagem do rio Xingu.É a usina que terá mais custo(30 bilhões).
Sem contar o impacto cultural e social aos 13 mil índios que vivem ao longo da bacia.
Sentimento total de impotência!

domingo, 7 de agosto de 2011

MARTHA MEDEIROS - Uma mulher entre parênteses

Tinha algo a dizer, mas jamais aos gritos, jamais com ênfase, jamais invocando uma reação

Era como ela catalogava as pessoas: através dos sinais de pontuação. Irritava-se com as amigas que terminavam as frases com reticências... Eram mulheres que nunca definiam suas opiniões, que davam a entender que poderiam mudar de ideia dali a dois segundos e que abusavam da melancolia.

Por outro lado, tampouco se sentia à vontade com as mulheres em estado constante de exclamação. Extra, extra! Tudo nelas causava impacto! Consideravam-se mais importantes do que as outras! Ela, não. Ela era mais discreta. A mais discreta de todas.

Também não era do tipo mulher dois pontos: aquela que está sempre prestes a dizer uma verdade inquestionável, que merece destaque. Também não era daquelas perguntadeiras xaropes que não acreditam no que ouvem, não acreditam no que veem e estão sempre querendo conferir se os outros possuem as mesmas dúvidas: será, será, será? Ela possuía suas interrogações, claro, mas não as expunha.

Era uma mulher entre parênteses.

Fazia parte do universo, mas vivia isolada em seus próprios pensamentos e emoções.

Era como se ela fosse um sussurro, um segredo. Como uma amante que não pode ser exibida à luz do dia. Às vezes, sentia um certo incômodo com a situação, parecia que estava sendo discriminada, que não deveria interagir com o restante das pessoas por possuir algum vírus contagioso.

Outras vezes, avaliava sua situação com olhos mais românticos e concluía que tudo não passava de proteção. Ela era tão especial que seria uma temeridade misturar-se com mulheres óbvias e transparentes em excesso. A mulher entre parênteses tinha algo a dizer, mas jamais aos gritos, jamais com ênfase, jamais invocando uma reação. Ela havia sido adestrada para falar para dentro, apenas consigo mesma.

Tudo muito elegante.

Aos poucos, no entanto, ela passou a perceber que viver entre parênteses começava a sufocá-la. Ela mantinha suas verdades (e suas fantasias) numa redoma, e isso a livrava de uma existência vulgar, mas que graça tinha?

Resolveu um dia comentar sobre o assunto com o marido, que achou muito estranho ela reivindicar mais liberdade de expressão. Ora, manter-se entre parênteses era um charmoso confinamento. “Minha linda, você é uma mulher que guarda a sua alma.”

Um dia ela acordou e descobriu que não queria mais guardar a sua alma. Não queria mais ser um esclarecimento oculto. Ela queria fazer parte da confusão.

“Mas, minha linda...” E não quis mais, também, aquele homem entre aspas

sexta-feira, 29 de julho de 2011

SEDA- Secretaria Especial dos Direitos Animais por Anamaria Feijó

 A Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou, após passar pelos trâmites legais, o projeto de lei, proposto pelo prefeito José Fortunati e pela primeira-dama Regina Becker, que cria a Secretaria Especial dos Direitos Animais (Seda). Esse órgão ficará responsável pela administração de todas as atividades municipais no que se refere aos animais domésticos e é motivo de orgulho para nós, moradores da capital do RS, que conseguimos mostrar, através de nossos representantes, preocupação com a vulnerabilidade dos mesmos, além da saúde pública, educação ambiental, posse responsável, proteção e bem-estar animal. A Declaração Universal de Bioética e Direitos Humanos promulgada pela Unesco em 2005 e que trata de direitos de terceira geração, direitos à ecologia e direito à solidariedade, já lembra em seu prólogo a responsabilidade do ser humano para com outras formas de vida, principalmente a dos animais. Porto Alegre, ao assumir posição de vanguarda com a criação da citada secretaria especial, mostra sintonia com outras sociedades que defendem a tutela responsável para com os animais e entende essa tutela como um importante item a transcender partidos políticos. Pode-se citar como exemplo o caso da Inglaterra, que proibiu o famoso esporte elitista e secular denominado ?caçada à raposa? em seu território. A temática sobre o status moral dos animais não é um tópico novo para a filosofia da moral. Muitos pensadores abordam o assunto e o defendem de forma até antagônica. Pode-se citar o filósofo britânico Jeremy Bentham (1789), que entendia o respeito para com o animal a partir do critério da sensibilidade, ou o australiano Peter Singer (mais contemporâneo), que defende o fato de iniciarmos a caminhada em direção à tutela animal a partir de alguma ação concreta, que esteja ao nosso alcance. Apesar de eventuais polêmicas filosóficas que a denominação da secretaria possa oportunizar, o que deve ser ressaltado neste momento é o fato de que a nossa capital mostra, por meio da criação da Seda, que a solidariedade porto-alegrense conseguiu ampliar sua margem de atuação para além do ser humano. Respeitar a vulnerabilidade do outro, não se preocupando com a espécie a que esse outro pertence, é, em minha opinião, condição imprescindível para se vivenciar a solidariedade dentro da concepção que o mundo hoje quer e precisa. Parabéns, prefeito! * 29/07/2011 - Zero Hora | Artigos | p. 14