sexta-feira, 30 de julho de 2010

Divã

''Se era amor? Não era amor, era uma sorte; Não era amor, era sem medo; Não era amor, era melhor!


Eu era dele, ele era meu, e não era amor, então era o que?

E quando acabou, foi como se todas as janelas tivessem se fechado às três da tarde num dia de sol. Foi como se a praia ficasse vazia. Foi como um programa de televisão que sai do ar e ninguém desliga o aparelho, fica ali o barulho a madrugada inteira, o chiado, a falta de imagem, uma luz incômoda no escuro.

Uma inexistência que machucava, mas ninguém morreu.

Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa.

Apertar o botão e as luzes apagariam e eu retornaria minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência?
Nunca me senti tão desamparada no meu desconhecimento

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